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Chá de limão

por Maria Alfacinha, em 19.03.13

Ter gripe é assim um bocado chato pois deixa-nos com frio, dores de cabeça e no corpo o que é meio idiota de dizer a não ser que a cabeça não faça parte do corpo, que é uma coisa que acontece a muita gente, o que agora até nem vem ao caso, e que se quiséssemos ser precisos deveríamos dizer que nos faz doer a cabeça, o tronco e os membros. Também me faz doer as ancas que, apesar de fazerem parte do corpo, o que as encaixa na primeira consideração e fazerem parte do tronco o que as encaixa na segunda, merecem uma menção especial pois não me lembro de alguma vez na vida, uma gripe me ter deixado com dores nas ancas. Além disso, não gosto muito de gripes pois tiram-me a vontade de fazer seja o que for e só me apetece é dormir e farto-me de transpirar enquanto durmo e ainda por cima tenho uns sonhos estranhíssimos que nem sequer sei se sonhei ou se foram pedaços dos programas de televisão que deixei ligada enquanto dormia e acabei por misturar tudo e depois quando acordo, fico a pensar nisso, e nada faz sentido, o que também não seria de estranhar pois hoje em dia nada do que ouvimos tem ponta por onde se lhe pegue.

Ter gripe e ter que trabalhar apesar de não ser muito agradável pode tornar-se uma cena digna de uma comédia surrealista quando temos um chefe que, seja por inocente distracção ou por achar que cai o Carmo e a Trindade se eu não estiver no meu local de trabalho, não mostrando qualquer estranheza por só me faltar o gorro e as luvas para parecer que vou enfrentar uma qualquer tempestade de neve, manteve o ritmo quase alucinante de solicitações, não se detendo perante ataques de espirros nem quando, em desespero de causa, fui buscar o rolo de papel higiénico para a secretária evitando assim as constantes idas à casa de banho e reduzindo as inevitáveis interrupções enquanto me assoava. Pelo menos poupou-me aos conselhos de canja de galinha e uísque com mel receitas de um qualquer Pantagruel caseiro arrumadas na secção do “não faz bem, nem faz mal”. Ora se a primeira, tivesse eu coragem, ainda conseguiria preparar, já a segunda, mesmo que houvesse uísque em minha casa, até com febre consigo perceber que não seria propriamente a melhor coisa para misturar com medicamentos. Abençoados os distraídos,ou os que fazem por o ser.

Hoje esqueço os sentimentos de culpa e fico por aqui, no aconchego da manta e no mimo dos meus cães que estão deliciados por terem a dona em casa, e sempre no mesmo sítio, algo que os faz sentir muito seguros e importantes, aproveitando os intervalos em que consigo abrir os olhos para exigir as festas, conversas e atenção do costume. Faltava-me apenas escrever sobre a loucura mas bastou-me reler este texto, que mais me apetece chamar de redacção por me fazer lembrar aquelas que escrevíamos na antiga instrução primária sobre as vacas (gosto muito de vacas que são um animal muito útil que nos dá leite para fazer manteiga e queijo e a pele para fazer sapatos) o que só quem não me conhece poderá estranhar, para perceber que o objectivo tinha sido atingido. E se por qualquer razão tiveram dificuldade em entender o que escrevi, não se preocupem: há muito que ando convencida que a combinação de anti-histamínicos com os vapores do Vick pode ter efeitos secundários muito estranhos. Nada que um chá de limão não resolva.


tema da semana: loucura

 

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