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Afinal o todo é mesmo a soma das partes (3/5)

por Maria Alfacinha, em 24.03.13

 

 

Por momentos o olhar de Geraldes brilhou. Aproximou-se do inspector e observou com atenção o bilhete.

- Senhor inspector… - disse sem afastar o olhar do bilhete – para que é que um maquinista quer um bilhete de comboio?

O Inspector Vasconcelos olhou para ele:

- Ora Geraldes! Para que é que servem os bilhetes de comboio?

Geraldes hesitou. Com certeza que a pergunta do inspector tinha alguma intenção. Cautelosamente respondeu:

- Para andar de comboio?

O Inspector continuou:

- Então porque acha que um maquinista teria um bilhete de comboio?

Geraldes mostrou-se confuso:

- Mas os maquinistas não precisam de bilhete.

O Inspector tentou disfarçar a impaciência:

- Exacto Geraldes! Logo…?

O rosto de Geraldes abriu-se num sorriso:

- O bilhete não lhe pertence!

O Inspector fez um sinal a Mendes que prontamente tirou um saco do bolso onde guardou o bilhete.

- Brilhante Geraldes! Você hoje está brilhante! – passeou os olhos pela sala, dirigindo-se calmamente para a janela – Ora não acredito que o Sr. Ernesto Santos andasse a guardar bilhetes que não lhe pertenciam. Presumo que conhecesse o dono deste bilhete. – Espreitou pelo vidro, observando a pequena varanda, fixou o olhar num determinado ponto e abriu a janela. Em movimentos pausados, acocorou-se para apanhar um pequeno recipiente de cerâmica. Sorriu e mostrou-o a Geraldes – Ou a dona!

No fundo do pequeno cinzeiro jaziam quatro beatas com marcas de baton vermelho.

- Uma mulher, senhor inspector! – exclamou Geraldes

O Inspector esperou que lhe retirassem o cinzeiro das mãos e voltou para o centro da sala.

- Ou uma mulher ou o nosso maquinista era vaidoso…

Geraldes observava disfarçadamente o rosto do Inspector tentando perceber se ele estava a falar a sério. Já trabalhava com ele há algum tempo mas nunca sabia quando o chefe estava a ser irónico. Mais uma razão para o admirar. Sempre impecável, sempre calmo, observando tudo, tal e qual aqueles detectives famosos dos romances policiais que tinham sido a sua grande companhia desde a adolescência. Só lhe faltava o sobretudo e o famoso Borsalino sobre os olhos para a imagem ser completa. Geraldes sentiu que soltava um suspiro, algo que lhe acontecia sempre que lamentava não ter nascido noutra época e noutro local onde fosse possível viver as aventuras com que sonhava. Despertou rapidamente para a realidade com uma voz masculina:

- O que é que se passa aqui?

As atenções voltaram-se para a porta onde um homem, visivelmente alterado, carregando um saco de supermercado, esperava que lhe respondessem.

O Inspector Vasconcelos avançou na sala:
- Polícia! E o senhor, quem é?

O homem olhou para ele espantado:

- Polícia?

- Sim, polícia. Estamos a investigar um desaparecimento. e um possivel homicídio. Mas não me respondeu. Quem é o senhor?

- Ernesto Santos. O dono da casa.

 

(…)

 

 

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