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O bar sozinho 4/5

por magnolia, em 05.05.13

 

 

- Sim, Laura, este meu precioso livro está em branco! Quer dizer, na verdade só parece que está em branco…mas não está.

- Não entendo. Como assim parece que está em branco mas não está? Eu não vejo nada escrito…

A cara dela mostrava bem a confusão que lhe ia na cabeça.  

- Sim, as folhas estão em branco mas o livro não.

- Estou a ouvir-te.

E estava, atenta e ávida de saber que mistério era aquele. Levaram os dois o copo à boca e sorveram o liquido castanho e gelado e quando pousaram os copos, pousaram também o olhar um no outro. Estavam constrangidos apesar da dureza que queriam passar.

- Aqui está toda a minha vida, Laura. Toda.

- Explica-me tudo. Detesto não entender as coisas…tu sabes. Afinal. Há quantos anos me conheces?

- Muitos, Laura, muitos…

- Não estarás arrependido?

- Nadinha. E tu?

- Também não.

- Lembra-te que vou abrir a minha alma, Laura. Depois espero que me recompenses explicando-me porque vieste de tão longe trazer-me o livro.

- Posso dizer-te antes…

- Diz-me então…

Estavam ambos virados de costas para o balcão, o mar pela frente. Depois beberem outra vez e ao virarem-se de novo os seus olhares cruzaram-se e depois cada um seguiu o rumo do mar. Ficaram em silêncio uns minutos. Ela a pensar como dizer o que queria dizer e ele ansioso pela resposta.

- Tinha saudades tuas… Demasiadas. Queria ver-te. Nos últimos tempos senti muita vontade de te abraçar novamente…

Ela baixou os olhos para o chão cheio de areia da praia para ganhar coragem para continuar.

- Na verdade, hoje penso que nunca te esqueci. Nunca deixei de gostar de ti. Só tinha medo. Muito medo…

- Não te levo a mal…também não me portei muito bem…

Ele pegou-lhe na mão e ela não a tirou. Um arrepio percorreu-lhe a coluna de cima abaixo.

- Não digas nada. Ouve só.

- Não direi.

- Há pouco falei a brincar, mas agora falo a sério…Tive saudades tuas. Queria estar contigo. Rever-te o olhar, o sorriso… Saber o que sentiria ao ver-te de novo…ao sentir o teu cheiro.

Olharam-se e tal como tinha acontecido há muito, muito tempo atrás, algo faiscou entre eles. Uma centelha da paixão adormecida pareceu renascer.

Ela apertou-lhe a mão e ele devolveu-lhe esse gesto. Olharam-se de novo como se o tempo não os tivesse tido separados e o braço dele passou vagarosamente por cima dos ombros dela.

- Eu sei o que sinto ao ver-te de novo Laura…queres ouvir?

- Não. Não quero. Primeiro quero que me contes do teu misterioso livro em branco.

- Está bem…pode ser. Então é assim. O que tenho para te contar já vem de muitos, mesmo muitos anos atrás e posso dizer-te que mudou a minha vida toda…

 

(…)



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