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Embarco nas chegadas

por Natacha, em 20.02.13
imagem retirada da net

A caminho do aeroporto todas as borboletas que residem no meu estômago iniciam uma espécie de teoria do caos, na verdade, é a teoria na sua forma mais prática, a julgar pelo que sinto, misto entre uma alegria que sufoca o grito e uma náusea que me embacia a visão.  Tento controlar-me, mas é sempre assim a cada vez que tenho de ir ao aeroporto, e desengane-se quem pensa que é quando parto, não tenho medo de andar de avião, e quando isso acontece, o sentimento é pura excitação e entusiasmo, já que não tenho que o fazer de forma enfadonha por via de viagens de trabalho – não – este caos no estômago acontece sempre que vou receber alguém e não, também não diz respeito ao que, seja quem for que vá esperar, representa para mim, este sentimento existe simplesmente pelo facto de ir ao aeroporto, às chegadas, mais propriamente.

Como sempre, chego cedo mas com a expressão estampada no rosto de quem está já muito atrasada. Placard informativo e ainda nem sequer aterrou. E eis que a aventura começa e os meus sensores visuais e auditivos começam a captar toda a informação com um entusiasmo, diria, infantil. Quisera ter jeito para o desenho, e penso que faria da zona de chegadas do aeroporto um lugar de excelência para a prática de tal arte, mas infelizmente não é o caso, e então, absorvo tudo o que se passa, anoto mentalmente cada situação que observo, pelo simples facto de querer saber mais do que são as emoções, os verdadeiros “sentires” dos que me são incógnitos, dos que nada me dizem e, não obstante, me dizem tanto.

Embarco nas chegadas.

Embarco numa viagem só minha e no entanto cheia de gente dentro. São lágrimas, são abraços, são movimentos apressados, são encontros e desencontros que terminam nos “ponto de encontro”. Há filhos, há mães, amigos e pessoas sós, no isolamento de uma chegada que ninguém espera. Sem ninguém saber, vivo por dentro todas as histórias que não conheço, assumo como sendo real cada enredo em que envolvo as personagens, que nem sonham o que vai dentro de mim.

De repente, sou interrompida pelo som de uma voz familiar. A pessoa que fui receber ao aeroporto acerca-se de mim e subtrai-me ao turbilhão de pensamentos trazendo-me de novo à realidade, exausta do tanto que vivi e senti. No fim de contas, eu própria fui recebida nas chegadas por ter embarcado nesta viagem só minha. Um abraço, um beijo e, daqui para a frente, a história será a minha….


 

Tema da semana: "Aeroporto"

 

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servido às 08:00


2 comentários

De Ocupadíssima a 21.02.2013 às 13:47

Gostei de ler, a forma expressada das emoções é bem realista.
"Como sempre, chego cedo mas com a expressão estampada no rosto de quem está já muito atrasada" Fantástica descrição.

De Natacha a 21.02.2013 às 15:05

Muito obrigada, é bom saber que chegamos, pela nossa escrita, ao "outro lado"

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