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Quanto?

por Closet, em 25.02.13

(imagem retirada da internet)

 

Talvez fosse esse o segredo do seu abraço, apertado, quente, enlouquecido - ofuscava a vida. O abraço que era chegada, era também o mesmo da partida.

O corpo balançava agora ao som do vento, numa brisa suave matinal. Também os cabelos esvoaçavam, ainda húmidos, colados ao rosto. Ao seu lado o corpo delgado, hirto, fitava o vazio. Os olhares não se cruzaram depois do calor da noite, nem os corpos se abraçaram depois de se vestirem. Nada. Um ar gélido cercava-os. Entre os dois uma distância gigante de centímetros, separava-os uma ausência intransponível. Falta-lhes tempo. Serão sempre dois corpos distintos, adiados pela espera das horas, dos dias, dos anos. Torturados pelas memórias, cicatrizados de promessas vazias. 

«Sempre te amarei», sussurrou-lhe entre os lençóis, num instante que o amanhecer arrefecia.

É sempre assim entre os dois. Instantes fugazes de vida. Enquanto o tempo se esvai pelo gargalo fino da ampulheta e a saudade congela todos os sentidos. Falta-lhes tempo. Num presente instalado de obrigações e rotina. Sedento da loucura com que se amam, sôfrego da paixão com que se sonham e fantasiam. Eternamente perdidos, cada um vive a sua vida. Vazia, triste, previsível.

«Falta-te permanência, sabias?» Gritou-lhe em vão. «És tão intenso como breve» Reconhecia sempre que ele saía.
Ele pediu-lhe, mais uma vez, tempo.
«Quanto?» perguntou.
Ele abanava a cabeça confuso. Não sabia. Apenas «Preciso de tempo» dizia numa voz rouca, cravada de agonia.
«Quanto?» ela voltou a perguntar sem mover o rosto, pálido, de lábios secos pelo frio. Os olhos ficaram baços. Os dele, ela não sabia. Sentiu o corpo dele afastar-se, talvez empurrado pelo vento, ou então por cobardia. Só com o tempo aprende-se a aceitar as perguntas que nunca terão resposta e a distinguir as promessas das fantasias.
 «2.000 km de tempo» ao longe respondia.


 

 

 

Tema da semana: "Falta de tempo"

 

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servido às 08:30


2 comentários

De Ametista a 06.03.2013 às 04:10

Uma realidade descrita de uma forma imensamente admirável :)
Gostei especialmente de quando ela diz: 'és tão intenso como breve'.
E tudo se repete, não é?

De Closet a 06.03.2013 às 23:13

É Leonor :) outra e outra vez!
Obrigada minha querida, um beijinho grande

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