Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Um dia hei-de morar numa estante - parte 5/5

por Natacha, em 02.03.13

A partir desse dia, Ricardo tratava de todas as burocracias inerentes à compra da casa e Íris dedicava-se à leitura do caderno da sua infância e deleitava-se com tudo o que lhe tinha passado pela cabeça na sua criancice e que, por artes e manhas do destino, ela tinha esquecido completamente. Talvez no seu subconsciente palpitasse um sinal de que tinha de voltar àquele lugar, que tinha de regressar ao local onde permanecia a sua casa de sonho: a estante dos livros.

Íris sorriu distraída ante o seu pensamento e a sua imaginação já não estava mais ali, mas longe…

 

- Eu hei-de morar numa estante! – Quase gritou Íris ao terminar a leitura da aventura que tinha criado em criança.

 

Na semana seguinte, todos os procedimentos tinham sido concluídos e a Escritura Pública estava feita, Íris sorria um sorriso límpido com a chave da sua casa nova, e antiga ao mesmo tempo, na mão. Quis correr para fora do escritório notarial, mas achou que não era condizente com o seu estatuto de douta advogada, bom, na verdade os saltos altos também não seriam de grande ajuda. Mas assim que conseguiu livrar-se daquelas pessoas que a enchiam de salamaleques de Srª Drª para cá e para lá, e que, na realidade ela já nem ouvia, dirigiu-se o mais depressa possível para o carro e conduziu até à sua casa.

 

Parada à porta, de chave na mão e sorriso no olhar, colocou a chave na fechadura, respirou fundo e entrou. Trazia com ela o pequeno caderno e decidiu naquele momento que faria jus ao seu sonho de criança, talvez de uma forma algo diferente daquela que havia pensado, mas não deixava de ser o cumprir do seu sonho.

 

Depois de alguns dias a tornar a casa habitável e confortável, decorando-a de forma simples mas acolhedora, estava finalmente pronta para, naquele cantinho perto da janela, que tão carinhosamente tinha tornado o seu canto de leitura e escrita, começar a desenvolver o seu projecto. À frente do seu portátil teclava furiosa e alegremente, copiando do caderno para a página do word, a sua história.

 

Deixara o escritório de advogados em Londres confiado à sua sócia e melhor amiga, Diane, tinha a certeza de que ela honraria os compromissos com a ajuda da excelente equipa que, em anos, tinha conseguido juntar. Eram mais que um grupo de advogados, muito mais. Eram amigos leais e a confiança era o alicerce que sustentava a convivência pacífica e que também tinha ajudado a levar o nome de Íris aos mais conceituados clientes de Londres e não só.

 

Entretanto, incumbira também Ricardo, que se mostrava algo apreensivo com esta viragem abrupta na vida de Íris, e por consequência também na sua, de contactar algumas editoras no sentido de enviar o seu livro, a história de Sarah McDougal, para apreciação e eventual publicação.

Íris já não pensava mais em advocacia, estava agora completamente focada em viver o seu amor às letras, aquele que lhe era tão puramente intrínseco e que ela havia esquecido. Tinha a certeza de que a seguir àquela história de Sarah McDougal, muitas mais iriam surgir e trazer magia a quem as lesse. Os dedos de Íris dançavam no teclado do portátil sem parar e o sorriso jamais se desvaneceu no seu rosto.

 

Abril chegou, e Íris estava bela, como sempre, na apresentação do seu primeiro livro infantil. Irradiava felicidade e orgulho, e quando um jornalista lhe perguntou como se sentia, respondeu:

 

- Sinto-me muito bem, realizei o meu sonho. Eu sempre disse que um dia havia de morar numa estante, e a partir de hoje será possível. Estarei viva em todas as estantes que receberem esta parte de mim, o meu sonho, o meu livro. Muito obrigada a todos!


parte 4

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

servido às 10:00





Pesquisa

Pesquisar no Blog  




As imagens deste blog foram retiradas da internet porém se alguém desejar reclamar os direitos autorais de alguma por favor envie-nos uma mensagem que imediatamente providenciaremos a remoção da mesma



Arquivos


Amazing Counters
home page hits

online