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Banco da Alma!!!!!!!!!!!!!!

por Marta Leal, em 08.03.13

 

 

Um dia alguém me informou e eu acatei a informação. Devo confessar que me perguntei vezes sem conta sobre a razão da proibição mas a minha curiosidade resumiu-se a um pensamento que de tanto esporádico que era, fazia com que não lhe desse importância. Espantava-me que todos cumprissem. Espantava-me que mesmo em situações de grande afluência ninguém se atrevesse a quebrar a regra. Lembro-me como se fosse hoje. Lembro-me mais especificamente do tom severo e intimidatório do segurança enquanto me dizia “aqui ninguém se senta”. E de facto ninguém se sentava. Todos cumpriam e poucos sabiam porquê.

Segue-se pela vida de uma forma mais ou menos automática. Mal chegamos impõe-nos regras e limites. Sempre que as seguimos somos compensados sempre que as questionamos ou quebramos somos castigados (ou pelo menos reza a história que o devíamos ser). Seguimos as regras que os outros nos ensinam e depois de acordo com a nossa personalidade acatamos ou questionamos. Fácil. Muito fácil, entendermos a obediência mesmo quando não nos faz qualquer sentido. Foi isso mesmo que me aconteceu há uns anos atrás e é disso mesmo que eu vos quero falar.

Passou por mim muito devagar. Sorridente no seu rosto experiente e no seu movimento. Movia-se com uma leveza que era impossível perceber que andava. Parecia que flutuava era isso, parecia que flutuava. Espantei-me de a ver por ali e perguntei-me quem seria. Olho em volta e vejo que todos a cumprimentam com deferência e com ternura. Verifico que se dirige ao local da proibição e corro para a avisar. Sou travada pelo segurança e digo-lhe que tenho de a avisar, que ela não pode, que vai distraída. Estranho o sorriso do segurança. Espanta-me o seu olhar mas muito mais a sua resposta:

- Ela pode – sorriu-me ele

- Ela pode?

- Sim. Aquele é o banco dela.

- O banco dela? Mas aquele banco tem dono?

- Sim é o Banco da Alma!!!!!!!

Falou-me dela. Falou-me de quem tinha sido e de como tinha vivido dedicada aos outros. Contou-me das lutas que teve e das dificuldades que passara. Falou-me das vitórias dela que se transformaram nas vitórias dos outros. Falou-me como a partir de certo momento se começou a usar o nome dela como incentivo e motivação: faz com alma, faz isso de corpo e alma, mostra-me que tens alma, etc. etc. etc. Aquele banco tinha sido uma oferta de todos. Representava o lugar que ela tinha no coração de cada um: um banco só para ela.

- Mas como é que eu nunca a tinha visto?

- Apenas porque ainda não estavas preparada para o fazer. 

Tema da semana: "Banco da alma"

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