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Saudades do tempo sem tempo

por Marta Leal, em 29.03.13

 

 

Vivemos  numa especie de ditadura da paixão. Não acreditam? Esperem. Antes de desistirem de continuar a ler permitam-me que continue. Dizia eu que vivemos na ditadura da paixão apenas e somente porque nos sentimos na obrigação de estarmos permanentemente apaixonados. Sempre com as emoções ao rubro sempre com as sensações do primeiro momento. Fala-se de paixão e lembro-me das saudades do tempo em que também eu acreditava na sua permanência, na longevidade da sua emoção e na perpetuidade da acção de gestos imaturos tão próprios da sua existência.

Saudades de momentos tão únicos que nos fazem querer viajar no tempo para voltarmos a ter o que tivemos. Para voltarmos a ser quem fomos. Saudades de um tempo onde o coração palpita, as mãos humedecem e a ansiedade cresce. Ama-se muito intensamente quando estamos apaixonados. Por vezes invejo a imaturidade dos que saltam de paixão em paixão, dos que acreditam na sua eternidade e que na sua inocência procuram que o pico nunca se perca. Perde-se. Perde-se fruto de uma evolução natural da paixão para o amor. Perde-se na vivencia do dia-a-dia. Perde-se no amadurecimento daquilo que obrigatoriamente tem de crescer. Porque o que não cresce na maioria das vezes morre.

Salta-se da paixão para o amor e do acreditar para o desconfiar. Mudam-se os olhos com que vimos o outro, alteram-se disposições e emoções. Criticam-se hábitos e questiona-se. Questiona-se a permanência apenas porque sentimos a ausência do que nos fez lá chegar. Uns ficam e outros partem em busca daquilo que um dia tiveram. Busca-se a permanência da paixão em detrimento da solidez do amor. 

Hoje senti saudades. Hoje senti saudades do tempo em que escrevia sobre o amor. Daquele tempo em que também eu acreditava na permanência da paixão com todas suas variáveis. Hoje senti saudades do tempo em que não havia tempo. Do tempo em que se cruzam as emoções como se cruzam as letras. Volta-se atrás no pensamento mas não voltamos a ser quem fomos. Saudades de acreditar no que um dia me fazia sentido. 

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servido às 09:14


2 comentários

De Tina a 14.05.2015 às 12:08

Lindoooooo.... Gostei muito do post!
Foi através duma amiga em comum, Ivete, que a conheci!
Bjo

Tina Tavares

De Marta Leal a 14.05.2015 às 12:32

Muito obrigada :)

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