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Meninice

por Natacha, em 03.04.13
Fotografia particular


Apesar de saber que o caminho da vida deve ser sempre direcionado em frente, não hesito em percorrer por vezes os trilhos da memória, buscando no passado os ensinamentos que só agora, com o devido distânciamento, consigo interpretar. Gosto da saudade do passado vivida sem saudosismo, não necessáriamente querendo que pudesse voltar atrás o tempo, não, mas como forma de celebração de quem sou, por tudo o que vivi, por todas as pessoas que ajudaram na construção da pessoa em que me tornei.

 

Dentro de mim está ainda a menina rebelde e esquiva que pedia à avó que não lhe desse beijos em frente dos amigos, e a mulher madura que espera poder ter os beijos da avó ainda por muito tempo, mesmo tendo a noção de que o tempo se esgota um dia. Está a menina independente e destemida que adorava acompanhar o avô na sua vida de feirante, e a mulher madura que tem saudade do avô que já partiu.

No meu álbum de família estão as minhas pessoas, as que já nasceram comigo e aquelas que escolhi e a que costumamos chamar de amigos. O meu álbum de família não é mais que o meu coração, onde existe um lugar para cada uma dessas pessoas e espaço para albergar ainda mais algumas pelo resto da vida.

 

Quando passeio os meus olhos pelas fotografias mágicas do passado, porque as fotografias da minha meninice são mágicas, todas as recordações parecem borbulhar no meu pensamento e em atropelo. Chego às vezes a duvidar se as coisas aconteceram de facto como estão desenhadas no meu subconsciente, ou se foram construidas pela minha imaginação de menina sonhadora, ou até pelas emoções da mulher madura.

 

Sei que caí de barriga em cima de um fogareiro para passar depressa em frente da tv e não ter de ouvir o padrinho da minha mãe a reclamar, sei que me cortei no pulso ao cair em cima de umas garrafas quando, durante uma festa, corria desenfreadamente na minha liberdade e lembro de olhar atenta e calmamente enquanto o enfermeiro me cosia. Sei que me esfolei muito, que adorava as brincadeiras na rua quando as brincadeiras na rua ainda eram seguras, que dei mortais de bicicleta, que caí de escadas e rachei o queixo, que vivi intensamente essa minha liberdade de ser destemida, ingénua e aventureira. Mesmo que as fotografias não mostrem tudo isso, transportam-me para cada momento deixando no meu rosto um sorriso quase infantil.

 

Tema da semana: Álbum de família

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