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O bar sozinho (1/5)

por Closet, em 13.04.13

 

Estava um agradável fim de tarde de Setembro, correndo apenas uma brisa ligeira. O sol descia em direcção ao mar e os largos cadeirões de madeira branca almofadados pareciam ainda mais vazios. Até os alegres chapéus de palha, naquele final do dia, pareciam tristes.

Talvez faltasse música naquele bar. Quero dizer, havia música, mas tocava baixinho. Talvez porque não se ouvia risos de pessoas a conversar, a trocar beijos e abraços. Não havia vida. O bar estava sozinho.

De repente, a música fez-se ouvir mais alto, quando um rastejar de passos pesados pisaram o soalho de velhas tábuas de madeira seca pelo sol.

Era um sujeito alto e corpulento, de blusão escuro, que atravessava os cadeirões do átrio em direcção ao balcão do bar. Passou sem olhar em redor. Apoiou-se no balcão com as suas mãos ossudas e ordenou com uma voz grave:

 - Um whisky, se faz favor.

A música acalmou quando o whisky lhe foi servido num copo de vidro baixo e largo. O copo acompanhava a expressão derrotada do seu rosto. Mexeu o líquido dourado num movimento circular e, sem hesitar, bebeu tudo de um só trago, pousando o copo no balcão vitorioso. Depois sentou-se no banco de pé alto pensativo. As sobrancelhas fartas e carregadas, os olhos escuros parece que explodiam. O cabelo, já com alguns brancos visíveis, era um emaranhado desregrado, que puxava constantemente para trás.

A música subiu novamente de tom com o aproximar de uma sombra esguia. Um corpo feminino, elegante, percorreu o bar em passos suaves em direcção ao homem de blusão escuro.

Tinha um vestido azul de linho pelo joelho que esvoaçava enquanto andava. Um decote redondo denunciava um peito pequeno e bem delineado, sobre o qual caiam longos cabelos ruivos. Não devia ter mais de 30 anos, mas o seu rosto aparentava a serenidade de uma mulher madura.

Trazia na mão um livro de capa branca com umas letras pequenas e finas. Pousou-o no balcão e apoiou-se com os cotovelos de costas, sem dizer uma palavra ao sujeito sentado ao seu lado, que com os olhos fixos a perseguia. Nem por um segundo os seus olhos cor de mel se cruzaram nos dele, agora em faíscas. Contemplava calma o mar lá fora agitado, mas estremeceu quando o homem lhe segredou ao ouvido:

- Porque vieste?

(…)

> parte 2

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servido às 10:00


1 comentário

De nadadenada222 a 16.04.2013 às 05:57

Não sou amiga de ir a bares e muito menos a discotecas. Eu cá gosto do ambiente calmo da minha casinha e quando me apetece ouvir musica oiço aquilo de que mais gosto sem ter que ouvir aquelas musicas chatas que metem nos bares e noutros locais. A minha casa é o sitio onde gosto mais de estar porque cá em casa posso bordar ponto de cruz à vontade enquanto que nos outros sitios é bastante diferente. Mas,bem,esta é apenas a minha opinião,não pretendo discussões,porque,aliás,todas as opiniões devem ser respeitadas.

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