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O bar sozinho 5/5

por Marta Leal, em 11.05.13

 

 

Faça-se uns parênteses na história e reflicta-se sobre o caminho que fizemos até aqui. Estamos prestes a descobrir um grande segredo e cabe-me a mim contar-vos o que ouvi naquele dia, naquele bar que supostamente se encontrava sozinho. O barulho das ondas e o murmúrio das emoções não deixou que eles dessem por mim. Entrei ao mesmo tempo que Laura mas ninguém percebeu que ela vinha acompanhada. Mas perdoem-me não é sobre mim que devo falar.

- Páginas em branco Bernardo? Não achas que isso é um pouco infantil?

- Estas páginas não estão em branco. Estas páginas estão cheias de memórias e pensamentos.

- Memórias e pensamentos? Morámos juntos durante anos e não te sabia tão sonhador.

- Deixas que te conte?

- Estou cada vez mais curiosa …

- Como sabes o meu pai é diplomata e isso obrigou-nos a andar sempre de casa às costas.

- Sim – respondeu Laura cada vez mais curiosa

- Sempre que partia, chorava. Custava-me deixar os amigos, os locais e muitas vezes aos espaços onde costumava brincar e correr. Lembras-te de te ter contado que um dos meus sítios preferidos tinha sido Moçambique?

- Sim, lembro – respondeu Laura enquanto sorria carinhosamente. Lembrava-se agora que foram essas partilhas que os uniram há anos atrás.

- Quando estávamos de partida uma das empregadas dos meus pais a quem eu chamava de Bá apanhou-me a chorar, e ao perceber que eu chorava de saudades antecipadas disse que ia fazer uma magia para que eu voltasse aos locais sempre que quisesse. No dia seguinte  ofereceu-me este livro em branco e quando eu ripostei que ainda não sabia escrever ela disse-me que não era preciso saber escrever para guardar memórias e pensamentos.

- Então esse livro …

- Este livro é o meu baú de memórias e pensamentos. Sempre que sinto saudades de alguma coisa olho para as páginas em branco e recordo-me enquanto viajo no tempo, sinto cheiros, sabores, vejo rostos e ouço as vozes. Quando fecho o livro sinto-me como se tivesse viajado no tempo.

Laura ficou a olhar para Bernardo embevecida. Pensava no quão simples são as explicações e o quão gostamos de as complicar.

- Antes que perguntes também nós temos páginas escritas neste livro. E eram essas páginas que tinha saudades de ler e sentir.

Laura levantou-se e dirigiu-se a Bernardo.

 

 Eu, senti-me a mais e retirei-me naquele momento que devia ser apenas deles. Não sei se concordam comigo mas existem momentos que devem ser apenas nossos. Pelo que ouvi dizer as páginas em branco juntaram-nos novamente, e quase que vos podia contar que viveram felizes para sempre. No entanto, prefiro deixar nas vossas mãos um futuro em branco para que cada um de vós o imagine como acha que deve imaginar.

 

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