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Um dia hei-de morar numa estante - parte 3/5

por Closet, em 17.02.13

Um sorriso enigmático desenhava-se nos lábios de Íris enquanto observava Ricardo, de sobrolho levantado e visivelmente intrigado. Limpava os óculos sem tirar os olhos dela, procurando uma resposta para o seu possível interesse naquele apartamento de 3 assoalhadas num prédio antigo da Ajuda.

- Esta foi a minha casa. Era aqui que vivia com os meus pais, onde passei a minha infância e onde todos os meus sonhos nasciam.

Ricardo escutava-a agora com atenção.

- Quando o meu pai foi trabalhar para Londres, venderam a casa e quase todos os móveis que tínhamos. Foi uma mudança de vida de 180 graus relativamente a tudo, especialmente à vida calma que aqui vivia.

- Estás a ver aquela estante ali? – Apontou para a estante de madeira vazia que forrava a parede da sala.

Ricardo acenou.

- Era ali que trepava para ver os livros mais recentes que o meu pai arrumava nas últimas prateleiras. Muitas vezes pedia para me ler algumas partes, desde romances até a livros de história mundial. Eu era assim, queria viver naquele mundo fascinante das letras, com tanta coisa para contar.

Íris passava as mãos trémulas pela estante, chegando agora com alguma facilidade à última prateleira. De olhos fechados, acariciava a velha madeira de mogno como se lhe pedisse desculpa por a ter abandonado e a quisesse compensar dos anos de distância.

Percorria com os dedos todos os lugares por onde viajou e as pessoas que conheceu naquela estante. Sorria ao recordar-se da noite em que se levantou às escondidas dos pais e empoleirou-se numa cadeira para tirar um livro de lombada grossa sobre os Castelos da Escócia, que a mãe lhe tinha mostrado nessa tarde. Enquanto explorava as imagens do livro com os seus pequenos olhos, as histórias surgiam aos trambolhões na sua cabeça. Histórias de princesas e vilões, monstros e fadas, cavaleiros destemidos e batalhas empolgantes. Sem notar adormeceu ali mesmo, no chão da sala, e foi acordada na manhã seguinte pela mãe, num misto de ralhete e gargalhada.

Ricardo tinha saído da sala para atender um telefonema, quando Íris sentiu tocar em algo na última prateleira. Parecia uma fenda com algo preso. Curiosa, não hesitou. Descalçou os sapatos de salto alto e subiu na primeira prateleira, agarrando-se às prateleiras mais altas. Na cavidade vazia e empoeirada a última prateleira estava cravado um ferro fino que prendia no fundo um pedaço de papel dobrado. Os olhos de Íris brilharam de emoção e, num ápice, com uma mão tentou alcança-lo. 

 

(...) continua

 

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servido às 22:44


2 comentários

De tarotnet a 18.02.2013 às 19:46

Adorei :-) Estou empolgado para ler o proximo capitulo :-)

De Closet a 18.02.2013 às 23:41

Obrigada! No fim-de-semana teremos a continuação da história, vai passando por cá

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