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Procura-se

por Maria Alfacinha, em 19.02.13

 

 

Desculpe? Se preciso de ajuda? Estava distraída e nem reparei que estava a falar comigo.Realmente acho que perdi uma coisa mas não sei se me pode ajudar. Perdi-o aqui, sim, esta manhã. Cheguei cedo e sei que o trazia comigo mas agora não o encontro. Não é normal perder alguma coisa, ou talvez  deva dizer que não perco coisas normais. Quer dizer: não sou daquelas pessoas que perde os óculos, a carteira ou as chaves de casa. Já me esqueci de qualquer uma dessas coisas muitas vezes, mas sei sempre onde estão. Chapéus-de-chuva, já é outra conversa, passo a vida a perdê-los, mas não é o que acontece a toda a gente? De resto não me lembro de perder nada realmente importante na minha vida. Há perder e perder, não é?

Desculpe, ponho-me a divagar e perco o rumo à conversa. Aqui entre nós perco-me com facilidade e gosto de me perder. Perder-me nas tarefas, perder-me em pensamentos, perder-me de riso. Já por várias vezes perdi o pé quando estava a nadar, por exemplo. Mas dava umas braçadas e lá o achava no sítio onde devia estar. Perder a cabeça também já me aconteceu e todos os dias, mas todos os santos dias, perco a paciência. Perder tempo é que não é comigo. Posso desperdiça-lo, esbanja-lo mas perder nunca o perco, nem mesmo quando o dou como perdido. Perder os sentidos só uma vez me aconteceu e não é nada agradável devo dizer. É quase tão mau como perder a alegria, que neste caso estamos conscientes do que perdemos e quando perdemos os sentidos só o sabemos quando os recuperamos. E como vê, de vez em quando também perco o fio à meada e ainda perco o seu tempo também. Gostaria de saber se encontraram um coração. Não um coração qualquer, mas o meu coração.

Se é uma jóia? Obrigada, é muito simpático em achar que é uma jóia. Para mim é, claro. Tenho-o desde que nasci, pode-se dizer que me foi oferecido pelos meus pais, e ao fim e ao cabo tem sido ele que tem guiado a minha vida. É um coração bonito, perdoe-me a vaidade, enfeitado com pequenas cicatrizes cada uma com um amor por desvendar. Mas não pense que é um coração fácil. Já me deu alguns desgostos, digo-lhe eu. Quando se perde de amores não há nada a fazer. Perde o bom-senso, perde o apetite, perde o sono, perde o medo, eu sei lá. Quantas vezes perde a prudência e acaba por ser roubado. Não é o caso, ou estaria no balcão da Polícia e não aqui. Sei sempre quando me roubam o coração e hoje não foi isso que aconteceu. Suspeito que estivesse demasiado leve e tenha ido atrás de algum sonho. É sinal que está feliz, não é? Um coração pesado não persegue sonhos. Encolhe-se num canto e espera que o esqueçam.

Não me pode ajudar? Não se preocupe, valeu pela boa vontade. Também quem me manda a mim perder tanta coisa estranha? Fazemos assim: da próxima vez que perder o chapéu-de-chuva, perco-o aqui. Sim, também perco coisas porque quero e por vezes faço-o apenas para agradar. Entretanto se vir por aí um coração perdido, diga-lhe que estou lá fora a tentar perceber como se consegue perder um avião. Isso é que ser distraído!


Tema da semana: "Aeroporto"

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servido às 18:02


1 comentário

De Anónimo a 24.02.2013 às 20:23

quando pensamos que o perdemos , não foi isso que aconteceu , ele apena ficou para tráz a brincar com um amigo que se julgava perdido

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