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Senhores Passageiros ...

por Marta Leal, em 22.02.13

 

 (Imagem retirada da net)

 

Cada indivíduo, desde que nasce até que morre, é como se fosse um aeroporto. Já alguma vez pensaram nisso? Não? Por favor! Não desistam já de ler. Garanto-vos que não fui tomada de uma qualquer perturbação psicopatológica mas apenas de uma vontade suprema de fazer uma comparação que me faz todo o sentido. Acompanham-me? Vamos viajar ao nosso mundo? Peço-vos então, senhores passageiros, que tenham à mão o cartão de embarque para o mundo dos humanos onde os encontros e os desencontros são uma constante, e onde somos muito mais do que sabemos ser.

Independentemente da nossa cor, raça ou crença, somos todos seres sociais. Desde que nascemos até que morremos são inúmeras as pessoas que se cruzam connosco. Desde que nascemos até que morremos perdemos a conta aos que nos fazem rir e chorar, sonhar e duvidar e, mesmo até, avançar ou estagnar. Existem os que compram bilhetes de ida e volta. Estes são os que nos consideram lugar seguro de ideias e pensamentos, risadas e segredos, muitos segredos. Ficam na nossa memória e no nosso coração. São os que nos fazem pensar por onde andarão ou em que viagens terão embarcado. Acredito que estes possuem sempre uma cadeira especial naquela que podemos chamar de nossa sala de espera.

Temos também aqueles que entram e saem a correr. Passado uns tempos temos necessidade de fazer um esforço para nos lembrarmos de rostos, de expressões bem como de porquês dessa interacção. Salta-se de pessoa em pessoa e esquecemo-nos da multidão que um dia se cruzou connosco. Passaram na correria intensa de uma vida onde se pára muito pouco.

Ficam alguns e partem a grande maioria num vai e vem constante de conversas, ilusões e desilusões, abraços e conflitos, mas muitas aprendizagens. Ficam alguns e partem a grande maioria numa viagem que se chama vida onde o cartão de embarque tem data de chegada e incerteza de partida.

Somos como a sala de um aeroporto. Acenamos aos que partem e recebemos num acolhimento mais ou menos sentido os que chegam cheios de esperança ou sem esperança alguma.

Senhores passageiros chegámos ao nosso destino. A vida é um destino cheio de interesses e novidades. Aconselhamos que a visite com olhos de ver e sentir de sentires. Mais se informa que se prevêem temperaturas altas se se atreverem a arriscar e a viver. Mais uma vez agradecemos a escolha pela nossa companhia e desejamos que tenha uma visita que mereça ser vivida.


 

Tema da semana: "Aeroporto"

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servido às 09:31

Embarco nas chegadas

por Natacha, em 20.02.13
imagem retirada da net

A caminho do aeroporto todas as borboletas que residem no meu estômago iniciam uma espécie de teoria do caos, na verdade, é a teoria na sua forma mais prática, a julgar pelo que sinto, misto entre uma alegria que sufoca o grito e uma náusea que me embacia a visão.  Tento controlar-me, mas é sempre assim a cada vez que tenho de ir ao aeroporto, e desengane-se quem pensa que é quando parto, não tenho medo de andar de avião, e quando isso acontece, o sentimento é pura excitação e entusiasmo, já que não tenho que o fazer de forma enfadonha por via de viagens de trabalho – não – este caos no estômago acontece sempre que vou receber alguém e não, também não diz respeito ao que, seja quem for que vá esperar, representa para mim, este sentimento existe simplesmente pelo facto de ir ao aeroporto, às chegadas, mais propriamente.

Como sempre, chego cedo mas com a expressão estampada no rosto de quem está já muito atrasada. Placard informativo e ainda nem sequer aterrou. E eis que a aventura começa e os meus sensores visuais e auditivos começam a captar toda a informação com um entusiasmo, diria, infantil. Quisera ter jeito para o desenho, e penso que faria da zona de chegadas do aeroporto um lugar de excelência para a prática de tal arte, mas infelizmente não é o caso, e então, absorvo tudo o que se passa, anoto mentalmente cada situação que observo, pelo simples facto de querer saber mais do que são as emoções, os verdadeiros “sentires” dos que me são incógnitos, dos que nada me dizem e, não obstante, me dizem tanto.

Embarco nas chegadas.

Embarco numa viagem só minha e no entanto cheia de gente dentro. São lágrimas, são abraços, são movimentos apressados, são encontros e desencontros que terminam nos “ponto de encontro”. Há filhos, há mães, amigos e pessoas sós, no isolamento de uma chegada que ninguém espera. Sem ninguém saber, vivo por dentro todas as histórias que não conheço, assumo como sendo real cada enredo em que envolvo as personagens, que nem sonham o que vai dentro de mim.

De repente, sou interrompida pelo som de uma voz familiar. A pessoa que fui receber ao aeroporto acerca-se de mim e subtrai-me ao turbilhão de pensamentos trazendo-me de novo à realidade, exausta do tanto que vivi e senti. No fim de contas, eu própria fui recebida nas chegadas por ter embarcado nesta viagem só minha. Um abraço, um beijo e, daqui para a frente, a história será a minha….


 

Tema da semana: "Aeroporto"

 

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servido às 08:00

Procura-se

por Maria Alfacinha, em 19.02.13

 

 

Desculpe? Se preciso de ajuda? Estava distraída e nem reparei que estava a falar comigo.Realmente acho que perdi uma coisa mas não sei se me pode ajudar. Perdi-o aqui, sim, esta manhã. Cheguei cedo e sei que o trazia comigo mas agora não o encontro. Não é normal perder alguma coisa, ou talvez  deva dizer que não perco coisas normais. Quer dizer: não sou daquelas pessoas que perde os óculos, a carteira ou as chaves de casa. Já me esqueci de qualquer uma dessas coisas muitas vezes, mas sei sempre onde estão. Chapéus-de-chuva, já é outra conversa, passo a vida a perdê-los, mas não é o que acontece a toda a gente? De resto não me lembro de perder nada realmente importante na minha vida. Há perder e perder, não é?

Desculpe, ponho-me a divagar e perco o rumo à conversa. Aqui entre nós perco-me com facilidade e gosto de me perder. Perder-me nas tarefas, perder-me em pensamentos, perder-me de riso. Já por várias vezes perdi o pé quando estava a nadar, por exemplo. Mas dava umas braçadas e lá o achava no sítio onde devia estar. Perder a cabeça também já me aconteceu e todos os dias, mas todos os santos dias, perco a paciência. Perder tempo é que não é comigo. Posso desperdiça-lo, esbanja-lo mas perder nunca o perco, nem mesmo quando o dou como perdido. Perder os sentidos só uma vez me aconteceu e não é nada agradável devo dizer. É quase tão mau como perder a alegria, que neste caso estamos conscientes do que perdemos e quando perdemos os sentidos só o sabemos quando os recuperamos. E como vê, de vez em quando também perco o fio à meada e ainda perco o seu tempo também. Gostaria de saber se encontraram um coração. Não um coração qualquer, mas o meu coração.

Se é uma jóia? Obrigada, é muito simpático em achar que é uma jóia. Para mim é, claro. Tenho-o desde que nasci, pode-se dizer que me foi oferecido pelos meus pais, e ao fim e ao cabo tem sido ele que tem guiado a minha vida. É um coração bonito, perdoe-me a vaidade, enfeitado com pequenas cicatrizes cada uma com um amor por desvendar. Mas não pense que é um coração fácil. Já me deu alguns desgostos, digo-lhe eu. Quando se perde de amores não há nada a fazer. Perde o bom-senso, perde o apetite, perde o sono, perde o medo, eu sei lá. Quantas vezes perde a prudência e acaba por ser roubado. Não é o caso, ou estaria no balcão da Polícia e não aqui. Sei sempre quando me roubam o coração e hoje não foi isso que aconteceu. Suspeito que estivesse demasiado leve e tenha ido atrás de algum sonho. É sinal que está feliz, não é? Um coração pesado não persegue sonhos. Encolhe-se num canto e espera que o esqueçam.

Não me pode ajudar? Não se preocupe, valeu pela boa vontade. Também quem me manda a mim perder tanta coisa estranha? Fazemos assim: da próxima vez que perder o chapéu-de-chuva, perco-o aqui. Sim, também perco coisas porque quero e por vezes faço-o apenas para agradar. Entretanto se vir por aí um coração perdido, diga-lhe que estou lá fora a tentar perceber como se consegue perder um avião. Isso é que ser distraído!


Tema da semana: "Aeroporto"

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servido às 18:02



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