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Pessoas no escuro

por Closet, em 20.05.13

 

Há pessoas com quem falo no escuro.

Numa espécie de monólogo, entrego as minhas insónias, os meus medos e divagações. Jorro sonhos em palavras, de peito aberto, atropelada entre as histórias que vivo e as que invento, constantemente. Percorro vitórias sangrentas, enfrento as mais duras desilusões.

E nessa escuridão encontro o brilho de um sorriso que não vejo, o calor de uma mão que não toco, mas sinto. E nessa escuridão sei que me escutam e abraçam, por vezes beijam e amam.

Encontro-as sem hora marcada, no escuro onde vivem. Pessoas que me encantam, cativam. Sem rosto.

 

Pudesse ser noite sempre, no meu planeta distante.

 

 

tema: alguém especial que nunca (mais) vi

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servido às 23:59

Sem ideias

por magnolia, em 16.05.13

 

 

imagem retirada da net



 

Sem ideias para escrever alguma coisa de jeito, desato a escrever coisas sem nexo, ao sabor do pensamento e que vou apagando de seguida com medo que alguém as veja e me julgue louca. Pensando melhor, talvez seja interessante o exercício de não apagar. A partir deste momento desisto de carregar no delete e vou deixar que a mente vagueie e passe aos dedos o que surgir. Coisa parva, estão já a pensar. Eu também acho mas até ter uma ideia decente fico-me pelas coisas parvas. Este exercio começa agora:

 

Tenho frio aqui sentada e não me apetece estar aqui onde estou. A janela que não abre aprisiona-me, sufoca-me, impede-me de viver. Pelo intervalo da persiana vejo o céu cinzento recortado por casas velhas. Acabou de passar um guarda-chuva. Não vejo a chuva cair mas sinto-a pelo frio que passa por debaixo da porta, pela cor escura que entra pela janela que não abre. Está um bom dia para ficar em casa no sofá. Gostava de voltar a ter tempo para ler. Como antes. Horas e horas a ler, por vezes até acabar o livro, mesmo que não jantasse ou jantasse de livro ao lado, mesmo que entrasse pela noite dentro, mesmo que só terminasse pela manhã. Lembro-me que quando era mais nova, antes de ser adulta, naquela fase em que se devora o mundo, eu devorava os livros. E era tão bom poder perder-me nas histórias que não eram a minha. Sempre tive essa capacidade de me embrenhar nas histórias, de quase as viver como as personagens. Era uma forma diferente de viajar pelo mundo e pelo tempo. Já fui ao passado assim. Já fui ao futuro. Já fui velha e já vivi no Cairo e já viajei no Expresso Siberiano.

Aqui só vejo gente que passa e cara triste. Já ninguém sorri para ninguém, nem sequer para si próprios.  

Daqui a pouco vou lá fora. Preciso de respirar. Aproveito e tomo um café. Que seria de mim sem a cafeína? Também hei-de ir ver os livros expostos no supermercado. Já sei que não vou comprar. O mais certo é que nem tenha nenhum do meu agrado. Já raramente compro livros. Estão tão caros…

A janela continua ali.

Suspiro.

Que ideia esta de nos fecharem num escritório o dia todo…

Não sei quem a teve, mas mais valia que nesse dia tivesse estado como eu estou hoje, sem ideias!


tema da semana: sem ideias

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servido às 15:32

Arrumar gavetas

por Natacha, em 15.05.13

Ao longo de todo este tempo que passou, não ofereci palavras. Não ofereci conjugações bonitas do verbo amar só para agradar ou alimentar qualquer Ego. Ofereci a minha alma, quem sou, o que sou, e o que ficou por oferecer [se ficou] apenas ficou por falta de espaço, tempo, oprtunidade.

Não tenho medo.

Não tenho sequer medo de oferecer agora estas palavras ao papel. Não tenho medo de enfrentar o que quer que seja que lá vem. Estou consciente e certa de todo este passado intenso a que me dediquei enquanto foi presente. Não quero nada do que dei, de volta, de todo, nunca sequer sairá da minha boca [ou dos meus dedos] qualquer ideia de arrependimento. Guardo tudo, e para sempre, o que recebi.

O que te dei – é teu!

Talvez eu não saiba amar, ou talvez tu não saibas amar, ou ser amado, também não importa muito, certo!? Talvez tu tenhas medo, ou talvez não. Talvez...

 “O nosso amor é óptimo” - foi assim ipsis verbis que afirmaste – e agora faltam-me ideias. Ideias para justificar, para me culpar, para desculpar.

 É preciso, de novo arrumar gavetas. Resolver amarguras, descobrir novas ternuras e guardar todas as boas, maravilhosas, recordações. E que nada apague nada.

 Talvez o problema, ou talvez não, seja apenas a falta de ideias... a única que me surge é a de amar para libertar... mas não foi sempre assim??

 

 

Tema semanal: Sem ideias

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servido às 22:59

Shiuuuuuu!!!!

por Marta Leal, em 10.05.13

 

 

Passa uma vida onde o falar é mais do que o pensar. Soltam-se as palavras como se não existisses amanhã. Verbaliza-se como se de uma verdade absoluta se tratasse. Defende-se o que tem de ser defendido e ataca-se o que tem de ser atacado. Sempre com verdade absoluta. Até porque existe um momento na vida da maioria de nós que somos donos e senhores do mundo. Se fossemos nós a mandar tudo, mas mesmo tudo,  seria diferente. Alguns continuam assim outros seguem aquilo que considero o percurso normal.

Quebram-se as regras do que vem sido dito e cala-se. Cala-se pela vida e na vida. A partir de certo momento acredita-se que o amadurecimento nos contém. Eu acredito que o amadurecimento apenas nos permite. Permite-nos ser aquilo que queremos ser, e manifestarmo-nos apenas naquilo que sabemos que é nosso. Cala-nos no momento em que percebemos que o ouvir vai ser apenas isso um ouvir sem sequer se reflectir.

Silêncio! Silêncio despido de prepotência e irreverencia. Silêncio não na greve de palavras mas na manifestação das ideias. Silêncio inteligente quebrado apenas por uma vontade suprema de dizermos o que tem de ser dito.

Amadurece-se na vida e amadurece-se nas palavras onde, por vezes, o silêncio é apenas  juiz do que faz ou não sentido dizer. 

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servido às 10:23

Silêncio ensurdecedor

por magnolia, em 09.05.13

 

 

 

 

Quando abri a porta e entrei na casa depois de tanto tempo ausente vi o silêncio pendurado
nas paredes, por cima dos móveis e a atapetar o chão. Era um silêncio severo, grosseiro,
perturbador.

Entrei na sala, olhei a estante coberta de livros que já não me lembrava que tinha e o silêncio
também por lá estava.

Liguei a televisão que, provocadora, me lançou uma música frenética aos ouvidos. Mesmo
assim o silêncio não se foi embora.

Tentei derrotar o silêncio com a velha aparelhagem. Pus a tocar um disco de vinil que tantas
vezes ouvi mas a musica não estava lá, apenas o silêncio doloroso e desafiante.

Abri a janela e som das crianças a jogar à bola, a chamar uns pelos outros, a debitar
gargalhadas por causa de conversas que eu não podia imaginar tentou entrar por ela mas nem
assim o silêncio partiu de mim.

Nem os pássaros que chilreavam no ninho feito no beiral do prédio se faziam ouvir.

Senti-me doente. Senti que o silêncio tinha invadido o meu corpo, a minha mente e a minha
vida inteira desde que te foste embora.

Era doloroso ver as nossas coisas silenciosas, quietas, abstratas.

Partiste e deixaste-me no meio do silêncio profundo da tua ausência.

Não vais voltar, bem sei…

Só não sei como hei-de fazer para voltar a ouvir a vida à minha volta.

Percorri a casa, peguei numa moldura onde estavas tu e eu numa fotografia a preto e branco,
onde me abraçavas alegremente e quase pude ouvir a tua gargalhada poderosa no meu
ouvido. Prestei mais atenção a ver se era de verdade mas nada… apenas o silêncio incómodo
da casa vazia…

Anoiteceu. A casa na penumbra tornou-se pesada demais. O silêncio ensurdecedor estava a feri-me
demasiado e não aguentei. Saí pela porta deixando-a aberta e corri para a rua vazia…

E corri. E corri. Corri até perder o fôlego e deixar-me cair na calçada humedecida pelo orvalho
da noite.

Foi então que te vi.


tema da semana: silêncio

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servido às 23:00

Breve silêncio

por Natacha, em 08.05.13

E, de novo hoje...
o silêncio gritou mais alto,
E disse silêncios de poesias e sentires.
Exclamou pulsações,
Afirmou sensações...
E explodiu, em extâse ... sem ausências,
mas num silêncio de emoções.
Olhou também, sorriu e calou,
E assim, penetrante, ficou...
Adormeceu num suave sussurro
silencioso como o melhor dos beijos
e infinitamente mais doce
que todos os murmúrios...

Hoje não é o silêncio que me mata. 
Mata-me a tua ausência da minha frequência, a falta de sintonia como a maior expressão da solidão.
Tão única e tão só...

Tema da semana: Silêncio

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servido às 22:57




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